O que é e o que não é Cuidado Paliativo

1. Cuidado paliativo é um tratamento multiprofissional, uma abordagem de cuidados que visa a melhoria da qualidade de vida de pessoas com doenças graves. Disso resulta que não existem pacientes paliativos, assim como não existem pacientes diálises, ou mesmo pacientes quimioterapias. Cuidado Paliativo, diálise ou quimioterapia são tratamentos, e não diagnósticos. Todos os pacientes com doenças graves podem se beneficiar dessa abordagem de cuidados. Pacientes com doenças cardíacas, oncológicas, pulmonares, neurológicas, AIDS, diabetes, síndromes das mais diversas e outras condições médicas podem se beneficiar desse tratamento, estejam ou não lidando com o fim de suas vidas.

2. Cuidado Paliativo não é um diagnóstico médico, nem uma fase da doença, mas uma abordagem de cuidados, e portanto um tratamento, o que inclui uma série de medidas específicas, um conjunto de dimensões a serem precisamente avaliadas e um conjunto de ações a serem implementadas, por vezes bastante complexas, se considerarmos algumas condições igualmente complexas. Disso tudo resulta que uma pessoa pode ter uma doença absolutamente avançada, incurável, gravíssima, e ainda assim não estar recebendo nenhum Cuidado Paliativo. Cuidado Paliativo pode ser oferecido inclusive no curso do tratamento curativo de uma doença potencialmente curável, e auxiliar o paciente e sua família a terem seus sofrimentos administrados e cuidados por uma equipe multiprofissional, mesmo que o desfecho dessa história seja a cura.

3. Cuidado Paliativo não é uma possível última alternativa para a vida de alguém, e não significa morte certa. Cuidado Paliativo não significa retirar tratamentos médicos, nem negar às pessoas o melhor que a medicina e as demais ciências da saúde podem lhe oferecer, mas ajudar a pensar em tratamentos hierarquizados e proporcionais entre os benefícios a ser buscados e os malefícios a serem evitados em cada fase da doença.

4. Cuidado Paliativo não é um conjunto de técnicas e procedimentos exclusivos de uma única categoria profissional, e portanto envolvem vários atores no cenário das ciências da saúde e da vida. Cuidado Paliativo de qualidade se faz em equipe multiprofissional, com profissionais treinados na filosofia e na boa prática da paliação.

5. Cuidado Paliativo não deve ser entendido como algo para as pessoas ricas, mas um direito humano como outro qualquer, já que todos devem ter acesso a alívio para os sofrimentos (por vezes muito intensos) gerados por graves condições de saúde. Cuidado Paliativo significa busca para uma vida digna e de melhor qualidade, mesmo diante do fim da vida. Cuidado Paliativo é um exercício de cidadania.

Texto de Rodrigo Luz, psicólogo RJ e Diretor da Fundação Elizabeth Kubbler Ross – Capitulo Brasil

Perguntas frequentes sobre Cuidados Paliativos

1. O que são Cuidados Paliativos?

São cuidados multidimensionais (nas dimensões física, emocional, familiar, social e espiritual) desenvolvidos e oferecidos por equipe multiprofissional capaz e qualificada à pessoa portadora de doença que ameaça a continuidade da vida desde o seu diagnóstico até o momento de sua morte, se completando com o suporte ao luto oferecido a família e amigos. Neste trabalho, todos os recursos diagnósticos e terapêuticos disponíveis são utilizados como amplo suporte à qualidade de vida do paciente e de sua família para que acessem o momento vivenciado com sentido, conforto, valor e significado. Todo o trabalho desenvolvido pela equipe tem como objetivos o alívio e a prevenção do sofrimento envolvido na evolução do adoecimento, no processo humano de morrer e despedir-se, vivendo sua vida em plenitude até seu último instante. Um trabalho e uma sabedoria que se complementam para que o paciente sinta e saiba que é um ser humano com o qual nos importamos e oferecemos o nosso melhor para que sua vida possa valer a pena até o fim.

Texto de Ana Claudia Quintana Arantes

Segundo a Organização Mundial de Saúde, Cuidados Paliativos é a assistência integral oferecida para pacientes e familiares quando diante de uma doença grave que ameace a continuidade da vida. O objetivo dos Cuidados Paliativos é oferecer o tratamento eficaz para os sintomas de desconforto que podem acompanhar o paciente, sejam eles causados pela doença ou pelo tratamento. (OMS, 2017)

 

2. Quem é o paciente que se beneficia de Cuidados Paliativos?

Todos os pacientes que são portadores de doenças graves, que ameacem a continuidade da vida e que apresentem sintomas de sofrimento se beneficiam do atendimento de uma equipe de Cuidados Paliativos, desde o diagnóstico da doença, passando por todos os tratamentos que busquem a cura ou o controle da doença, bem como os cuidados intensamente necessários na finitude humana. Aqui se encaixam todas as doenças com este perfil de gravidade e não somente o câncer!

 

3. Como é o trabalho de Cuidados Paliativos?

Os Cuidados Paliativos atuam nas necessidades do paciente e de sua família, comprometendo-se a avaliar e tratar os sintomas físicos de desconforto, como dor, fadiga, cansaço, falta de ar e outros que possam causar sofrimento e piora da qualidade de vida. Ao mesmo tempo em que trata os sintomas da dimensão física, orienta-se no sentido de avaliar e cuidar das necessidades emocionais, sociais, familiares e espirituais do paciente e de sua família, respeitando seus valores e crenças.

Tratando-se de um Cuidado Integral, devemos contar sempre com uma equipe de profissionais de saúde que sejam treinados e capacitados em tratar sintomas de desconforto relativos às dimensões do ser humano que são descritas como: dimensão física, emocional, social, familiar e espiritual.

Os profissionais que compõem a equipe são os que controlam os sintomas do corpo – dimensão física – (todos os profissionais de saúde podem ajudar neste controle!), da mente – dimensão emocional – (psicólogo, psicoterapeuta, psicanalista, psiquiatra), do espírito – dimensão espiritual – (padre, pastor, rabino, guru, sacerdotes das diferentes crenças religiosas professadas pelos pacientes) e do social e familiar (assistente social, voluntário, psicólogo).

Os tratamentos curativos e paliativos são complementares entre si, pois com um melhor controle de sintomas o paciente e sua família podem passar pelo tempo de tratamentos curativos de maneira mais efetiva, mesmo que estes tratamentos sejam mais agressivos. O que ocorre em geral, é que à medida que a doença apresenta progressão, percebe-se uma maior necessidade dos cuidados paliativos; sendo possível que, em algum momento da evolução da doença de base, a prioridade de cuidados visa o conforto e qualidade de vida exclusivamente.

 

Fazem parte dos princípios dos cuidados paliativos:

  1. Respeitar a dignidade e autonomia dos pacientes.
  2. Honrar o direito do paciente de escolher entre os tratamentos, incluindo aqueles que podem ou não prolongar a vida.
  3. Comunicar-se de maneira clara e cuidadosa com os pacientes, suas famílias e seus cuidadores.
  4. Identificar os principais objetivos dos cuidados de saúde a partir do ponto de vista do paciente.
  5. Prover o controle impecável da dor e de outros sintomas de sofrimento físico.
  6. Reconhecer, avaliar, discutir e oferecer acesso a serviços para o atendimento psicológico, social e questões espirituais.
  7. Proporcionar o acesso ao apoio terapêutico, abrangendo o espectro de vida através de tratamentos de final de vida que proporcionem melhora na qualidade de vida percebida pelo paciente, por sua família e seus cuidadores.
  8. Organizar os cuidados de modo a promover a continuidade dos cuidados oferecidos ao paciente e sua família, sejam estes cuidados realizados no hospital, no consultório, em casa ou em outra instituição de saúde.
  9. Manter uma atitude de suporte educacional a todos os envolvidos nos cuidados diretos com o paciente.