Francisco Carlos Gomes dos Santos
A vida muda rápido. A vida muda num instante. Você senta para jantar e a vida que você conhecia acaba de repente. (O ano do pensamento mágico, Joan Didion).
Legalmente, a identidade profissional do psicólogo no Brasil é definida em 1962 com a regulamentação da profissão e dos cursos.
Abre-se a partir daí, um desafio à psicologia como ciência que estuda e interpreta a ação humana, o desafio de acompanhar as constantes mudanças que o mundo vive, tornando cada vez mais difícil sua compreensão devido à rapidez com que acontecem e a diversidade que essas mudanças apresentam, ampliando a enorme complexidade dessas contínuas e profundas transformações.
Cabe ao psicólogo uma reflexão séria e constante sobre o ser humano — tanto agente de, como submetido a mudanças — de modo que este não seja visto como unidade isolada mas, inserido dentro de um contexto social e político, num determinado momento histórico em que se dá a constituição de sua identidade.
O código de ética profissional do psicólogo nasce de uma dupla fonte: da realidade e do desejo. A realidade está calcada no que existe, na prática das pessoas; já o desejo se dá pela preocupação com o amanhã do indivíduo.
O Conselho Federal de Psicologia regulamenta a concessão de atestado psicológico para tratamento de saúde por problemas psicológicos, caracterizado pela via da OMS na elaboração de diagnósticos psicológicos, considerando que o psicólogo possa diagnosticar as condições que ofereçam riscos para os pacientes e para o próprio meio ambiente onde o indivíduo se insere, visando sempre a promoção de saúde, garantindo as condições de trabalho necessárias ao bem estar individual e social.
Em relação ao papel do psicólogo, o Parecer do Conselho Regional de Psicologia de São Paulo, 6ª região, retrata que a Avaliação Psicológica é o processo técnico científico que dispõe o psicólogo na coleta de dados para o estudo e interpretação de informações a respeito dos fenômenos psicológicos, que são resultantes da relação do indivíduo com a sociedade, utilizando-se, para tanto, de estratégias psicológicas – métodos, técnicas e instrumentos.
Os resultados devem considerar condicionantes históricos e sociais e seus efeitos no psiquismo, com a finalidade de servirem como instrumentos para atuar não somente sobre o indivíduo, mas na modificação desses condicionantes que operam desde a formulação da demanda até a conclusão do processo de avaliação psicológica, de acordo com a Resolução CFP nº 007/2003.
Segundo essa mesma resolução, o Parecer é um documento fundamentado e resumido sobre uma questão focal do campo psicológico que pode ser indicativo ou conclusivo. O Parecer tem a finalidade de apresentar resposta esclarecedora, no campo do conhecimento psicológico, através de avaliação especializada “questão-problema”, visando dirimir dúvidas que estão interferindo na decisão, sendo uma resposta a uma consulta, que exige de quem responde competência no assunto.
A questão das especialidades, em que a profissão vem sendo redesenhada em função da chamada globalização, torna importante conhecer esse processo, e refletir sobre o mesmo.
O atendimento psicológico ao indivíduo que adoece é fundamental, pois o conflito em face de situações de crise pode gerar graves repercussões psicológicas não só para os indivíduos, mas também para a família. Aos demais grupos em que estão inseridos e, a sociedade, o que coloca o psicólogo na situação de ter que desenvolver um trabalho multiprofissional, procurando contribuir para a compreensão e o manejo das situações disfuncionais.
A integração do psicólogo em uma equipe de saúde pode ampliar os recursos e as competências do atendimento na área da saúde pública.
A prevenção e a promoção de saúde são fundamentais no exercício da cidadania e compromisso social à assistência integral à saúde da população, o que significa entender a saúde em todos os seus aspectos, constituindo um sistema de saúde capaz de contrapor a medicalização e a institucionalização, a ênfase da educação em saúde.
Para a Psicologia a maneira de compreender a saúde significou a ampliação do compromisso social com as necessidades da população, na leitura do adoecimento. A complexidade do processo pede a integração de saberes.
Como psicólogo, neste artigo, proponho-me, ainda que modestamente, trazer algumas contribuições que possam colaborar para o bem estar comum. Estabelecer algum nexo entre fatores psicológicos e o processo de luto é uma tarefa complexa que divide muitas vezes a posição dos autores; pensar a questão do processo de luto parece-me uma questão aberta. Mas fica a pergunta, quem são os enlutados?
São pessoas que passam por um processo natural que ocorre após a perda de uma pessoa significativa. Pode ocorrer também o luto antecipatório como uma forma de organização interna em relação a uma perda eminente e o luto tardio quando o impacto é muito grande e não se pode olhar para a questão no momento.
Permanece, contudo, uma questão: Como o psicólogo pode ajudar uma pessoa em processo de elaboração do seu luto? Como pode o psicólogo, no desempenho de seu papel profissional, colaborar para que, o tratamento, torne-se a ocasião para uma metamorfose identitária que possa ter um sentido emancipatório?
Cada caso é um caso. Existe a necessidade de uma avaliação da condição do enlutado para que a partir daí possa haver uma forma de intervenção específica, oferecendo um sistema de suporte para que a pessoa possa viver tão ativamente quanto possível. O cuidar é essencial, sendo o “sentido” o conceito fundamental.
A psicoterapia (tanto individual, como de grupo, familiar) me parece importante na ação do processo de elaboração do luto, à medida que a pessoa precisa se adaptar à condição de viver sem a pessoa significativa criando novos sentidos que possam ser compreendidos como “fragmentos de emancipação”.
Santos, Francisco Carlos Gomes dos Santos. O Papel do Psicólogo no processo de elaboração do luto. Casa do Cuidar. 2007

