Fotos: André François

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Cuidados Paliativos = Cuidados de Proteção

A palavra paliativo, deriva do latim pallium, que significa manto ou cobertor. Na época das Cruzadas, os cavaleiros recebiam este manto – pallium – para protegê-los das intempéries do caminho na longa jornada. Infelizmente, na nossa cultura, o termo “paliativo” traz um aspecto de uma medida inconsistente ou de algo sem valor, dificultando a aceitação destes cuidados tão essenciais na vida de um ser humano que sofre diante de uma doença ativa e progressiva que ameace a continuidade da vida. Os cuidados paliativos são, na verdade, os cuidados de proteção oferecidos ao paciente e sua família, cuidando de seu sofrimento, protegendo-o da dor, dos sintomas físicos, emocionais, sociais e espirituais de desconforto, causados pela doença ou por seu tratamento.

Cuidar é proteger. Cuidar é responsabilizar-se pelo bem estar do outro.

Pela definição da Organização Mundial de Saúde, em 2002, Cuidados Paliativos são: “Cuidado dirigido a pacientes e familiares quando diante de uma doença ativa e progressiva, que ameace a continuidade da vida. Tem como objetivo de prevenir e aliviar o sofrimento e melhorar a qualidade de vida.”

Se em algum momento da trajetória da doença, o tratamento proposto não puder alcançar a cura, a qualidade de vida se torna uma prioridade. Neste momento, temos então, uma nova oportunidade de entender que a cura é somente uma pequena parte do nosso bem estar. Temos outras necessidades, outras prioridades.

Os cuidados paliativos atuam nas necessidades do paciente e de sua família, comprometendo-se a avaliar e tratar os sintomas físicos de desconforto, como dor, fadiga, cansaço, falta de ar e outros que possam causar sofrimento e piora da qualidade de vida. Ao mesmo tempo em que trata os sintomas da dimensão física, orienta-se no sentido de avaliar e cuidar das necessidades emocionais, sociais, familiares e espirituais do paciente e de sua família, respeitando seus valores e crenças.

Como todo bom atendimento, os cuidados paliativos são baseados no respeito dos princípios éticos fundamentais da autonomia, da beneficência, não maleficência e justiça.

Fazem parte dos princípios dos cuidados paliativos:

1. Respeitar a dignidade e autonomia dos pacientes.

2. Honrar o direito do paciente de escolher entre os tratamentos, incluindo aqueles que podem ou não prolongar a vida.

3. Comunicar-se de maneira clara e cuidadosa com os pacientes, suas famílias e seus cuidadores.

4. Identificar os principais objetivos dos cuidados de saúde a partir do ponto de vista do paciente

5. Prover o controle impecável da dor e de outros sintomas de sofrimento físico.

6. Reconhecer, avaliar, discutir e oferecer acesso a serviços para o atendimento psicológico, social e questões espirituais.

7. Proporcionar o acesso ao apoio terapêutico, abrangendo o espectro de vida através de tratamentos de final de vida que proporcionem melhora na qualidade de vida percebida pelo paciente, por sua família e seus cuidadores.

8. Organizar os cuidados de modo a promover a continuidade dos cuidados oferecidos ao paciente e sua família, sejam estes cuidados realizados no hospital, no consultório, em casa ou em outra instituição de saúde.

9. Manter uma atitude de suporte educacional a todos os envolvidos nos cuidados diretos com o paciente.


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